Sunday, February 15, 2009

Estrangeira no meu país

Há coisas inéditas…próprias do meu país mas que me fazem sentir um pouco “estrangeira” quando cá estou.

O português típico – ADORA – dar palpites no trabalho sobre questões profissionais, mesmo quando não tem a menor ideia sobre o assunto. Por exemplo, no banco:

Eu – “então mais vale trocar dólares cá ou lá, o que é mais vantajoso?”

A senhora do banco, com as melhores intenções do mundo – “Bem, eu não sou perita nisso, mas eu até acho que se calhar, talvez, seja mais vantajoso…bla bla porque eu não sei, mas quando me disseram que bla bla eu pensei que até era melhor, e como hoje até se calhar é mesmo melhor fazer isso assim, bla bla mas talvez seja melhor esperar que o meu colega que percebe mais disto regresse da hora de almoço, ou então pode voltar cá amanha?”

Resultado: Perdi 30 minutos, ouvi uma história que nunca mais acabava e ainda não sei onde é melhor trocar os ditos dólares.

Com uma administrativa da universidade, supostamente competente na matéria, ao telefone:
Eu- “Mas eu preciso de mais algum documento para obter as equivalências?” (a propósito da minha licenciatura feita no estrangeiro)

Senhora: “bem eu acho que não mas, a meu ver, talvez, se calhar…como a lei até dizia que tal, tal, mas entretanto, acho que mudou, bla, bla, mas como eu também não a li, e até li um pouco, mas não entendi muito bem, se calhar é melhor vir cá logo e talvez possamos ajudar”


Resultado- frustrada e confusa pelos dias passados à procura de quem entenda e de respostas claras, continuo a nadar na incerteza, dada a incompetência generalisada das administrações das diversas faculdades que contactei...

E a lista dos exemplos poderia continuar.

Apesar de estar convicta que a troca de ideias e opiniões é a base de uma sociedade livre e democrática, fundamental neste mundo, não quero saber o que acham os profissionais sobre questões que lhes coloco relativamente a assuntos que eles têm o dever de saber ou pelo menos a obrigação de averiguar… Quero respostas fiáveis e exactas, mas pelos vistos, o palpite profissional…é muito usual na minha terra.
Talvez as divagações destes Srs. se devam à solidariedade tipicamente portuguesa, e à sempre vontade de ajudar o próximo que, por vezes, carece de bom senso e lógica. Esta mentalidade acaba por se reflectir na falta de produtividade do país: Onde se começa a trabalhar tarde, onde as pausas “café” estão institucionalizadas, as urgências são relativas e onde se relata os fins de semana extensivamente descaradamente à frente do chefe, que por sua vez, também não reprimenda e onde sobretudo, faça chuva, faça sol, sai-se às seis em ponto! (ou antes) E não, não penso que seja somente uma característica da função publica...

Por vezes tremo ao pensar que talvez sofra de rigidez mental, síndroma de quem viveu muitos anos num país como a Suíça, onde as pessoas aprendem a ter mais disciplina no trabalho. será...?

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